quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dicas de Livros: "Quando Nietzsche Chorou" de Irvin D. Yalom

Um dos melhores livros que li em minha vida...



Sinopse:

Este livro tem como pano de fundo o fermento intelectual da Viena do século XIX às vésperas do nascimento da psicanálise. Friedrich Nietzsche, Josef Breuer, um pacto secreto, um jovem médico interno de hospital chamado Sigmund Freud - esses elementos se combinam para criar a saga de um relacionamento imaginário entre um paciente e um terapeuta talentoso. Na abertura deste romance, a Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche mediante sua experimental terapia através da conversa. Ao aceitar relutante a tarefa, o eminente médico realiza uma grande descoberta - somente encarando seus próprios demônios internos poderá começar a ajudar seu paciente. Assim, dois homens mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões românticas e descobrem o poder redentor da amizade.

Um trechinho so pra dar água na boca:

"Mas nem tudo estava resolvido. Nietzsche ficou sentado de olhos fechados por bastante tempo. Depois, abrindo-os de súbito, disse decididamente:
- Doutor Breuer, já lhe tomei demais seu tempo valioso. Sua oferta é generosa. Eu a lembrarei por muito tempo, mas não posso... não irei aceitála. Existem razões além da razão - palavras proferidas com finalidade, como se não tencionasse explicações adicionais. Preparando-se para sair, cerrou o fecho de sua pasta.
Breuer ficou assombrado. A entrevista assemelhava-se mais a uma partida de xadrez do que a uma consulta profissional. Ele fizera um lance, propusera um plano, que Nietzsche imediatamente contra-atacou. Respondera à objeção apenas para enfrentar ainda outra das objeções de Nietzsche. Elas jamais teriam fim? Mas Breuer, macaco velho em impasses clínicos, recorreu agora a uma trama que raramente falhava.
- Professor Nietzsche, seja meu consultor por um momento! Imagine esta situação interessante; talvez possa me ajudar a entendê-la. Encontrei um paciente que esteve doente durante algum tempo. Sua saúde chega a ser tolerável em menos de um terço dos dias. Ele então realiza uma longa e árdua viagem para consultar um médico especialista. Este realiza sua tarefa com competência. Ele examina o paciente e chega a um diagnóstico apropriado. O paciente e o médico desenvolvem aparentemente um relacionaQuando mento de respeito recíproco. O médico propõe então um plano de tratamento abrangente no qual tem total confiança. Porém, o paciente não mostra nenhum interesse, nem mesmo curiosidade, no plano de tratamento. Pelo contrário, rejeita-o de imediato e levanta obstáculo após obstáculo. O senhor poderia me ajudar a compreender esse mistério?
Os olhos de Nietzsche se arregalaram. Embora parecesse intrigado pela estranha artimanha de Breuer, não respondeu. O médico persistiu.
- Talvez devamos começar pelo início do enigma. Por que o paciente que não deseja tratamento chega a marcar uma consulta?
- Vim devido a fortes pressões dos amigos.
Breuer ficou desapontado por seu paciente declinar a entrar no espírito de seu pequeno artifício. Embora Nietzsche escrevesse com grande sagacidade e enaltecesse o riso na palavra escrita, estava claro que o professor não gostava de brincar.
- Seus amigos na Basiléia?
- Sim, tanto o professor Overbeck como sua esposa são íntimos meus. Também, um bom amigo em Gênova. Não tenho muitos amigos, uma conseqüência de minha vida nômade, e o fato de que todos me exortaram a marcar uma consulta foi notável! Como foi o fato de que o nome de doutor Breuer parecia estar nos lábios de todos eles.
Breuer reconheceu a mão destra de Lou Salomé.
- Certamente - disse ele - a preocupação deles deve ter sido provocada pela gravidade de seu estado médico.
- Ou talvez por mencioná-lo freqüentemente demais em minhas cartas.
- Mas sua menção a ele deve refletir sua própria preocupação. Por que outra razão escrever-lhes tais cartas? Seria para evocar preocupação? Ou simpatia?
Um lance de mestre! Xeque! Breuer estava satisfeito consigo próprio. Nietzsche era forçado a retroceder."

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1151920-1655,00.html

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3034602&sid=98117515511128598205518653&k5=21130BDC&uid=

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